terça-feira, 9 de abril de 2013

Duelo de Medos




"E aonde quer que eu vá estará me seguindo, o seu olhar.".

          Você fica com seus olhos, esses olhos brilhantes, esse olhar doce. Por todo lado, ele, por cima do que eu gostaria que fosse somente imaginação. Por fora, eu, procurando me ver - Sem poder, por que em todas as partes, o mesmo olhar segue cada tentativa espontânea de gesto imperfeito.
           Por dentro, preocupantemente, nada se fixa em um lugar e, enquanto fico paradinho esperando  tudo se assentar, os mesmos olhos me veem de fora pra dentro ou vice-versa ou etc. e que inferno, se foder! Enquanto ali debaixo, suplicante, amor e paixão, entreolham-se, desprezam-se e torcem cada um a seu óbvio e respectivo favor. Qual mais favorável a mim nem Deus decidiu ainda. “Faz favor, deixa uma pista quando decidir, pelo amor de...”. Favor nenhum seus olhos fazem, além de me preencher com quase todo o brilho que no inferno e no céu constituem o desejo.
         Agora, há tantos dias de olhos abertos, prestes a sangrar, ainda tento decifrar mensagens de sonhos e cartas de deuses. Interpretei mal alguns pesadelos, percebi que acordado corro mais riscos de enlouquecer e que, afinal, devo insistir em dormir, acordado seus olhos não me dão descanso, como uma resposta ao grito de socorro e escondida em um talvez, estão em cima de mim, eu só preciso me afastar. Dele, disso, desse olhar.
          Preciso me afastar. Preciso me afastar. De outra forma não enxergarei onde estou indo, seguindo o olhar que vai pra -onde? Pode ir! Me deixe suportar a mim, sem o peso dos seus olhos.
               Um medo... Porque, que porra, eu posso não aguentar continuar sem isso. Não que eu queira que saiba, não por nada... Não, por nada, mas eu sinto que tudo se perdeu da mesma maneira que os meses esconderam nossas palavras guardadas, e agora não melhorará nada dizer o quanto eu preciso dizer que quero que saiba que eu não quero que saiba do meu amor preso na resignação pela escolha menos próxima daquela promessa esquecida. Mas que eu mantenho. Como uma porta semiaberta; uma ponte recém erguida, como numa manhã a previsão de sol e o céu cinza iesquecida; como nesse instante eu acho que posso avançar mas não saio do lugar. E espero. A mantendo - Que eu sei como é confiar em uma promessa e derrepente vê-la abandonada
          Mesmo por que, eu não sei se a gente é verdadeiramente capaz de reconstruir uma vida quando se perde dela. Se de repente cria-se algo definível como tal, sem ser, sem pertencer a nada familiar... Quanto tempo leva até tornar-se? Eu vou dormir.

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