quarta-feira, 16 de maio de 2012

Chuvinha é Chuvinha, né?

Chove. Três e quarenta da manhã, a água não hesita em se lançar pra todos os lados, com a ajuda do resquício do vento que não deu as caras no dia e há boas passagens se foi, os pisos externos são inundados e se for pensar bem, apesar da poluição do ar inibir possibilidades de higienização, eles estão até sendo limpos. Bem que o Giovanni disse que a previsão em São Paulo era de chuva. Eu só iria descobrir quando acordasse. Mas não consegui dormir até agora. Não foi culpa minha. Acho que o Eno foi mais eficaz na desrregulagem do horário que no ajuste do bem-estar estomacal. Agora, só penso no que não deveria pensar. "O que se faz quando não se tem o que querer pensar?" Chego a considerar fazer alguma coisa típica de alguém que está sozinho. "Mas, o que uma pessoa sozinha geralmente faz?" Eu deveria saber, afinal passo a maior parte do tempo divagando sob uma extensão de retiro recorrente. Como alguém que preza a integridade da associalidade na claustrofóbica fôrma residencial, sentindo-se uma ilha, alimentando a esquizofrenia que supõem não ter e explorando as paredes mofadas da própria loucura. É que às vezes a vida de gente normal não é nada interessante, né? Porque, eu não sei. Tanto faz, tanto fez, mas os cigarros já deixaram de ser uma opção agradável - o que poderia me fazer recordar do trabalho, no fim do expediente, na cerveja, nos papos sem importância, nas coisas que a gente faz pra provar que está vivendo como ditam as regras sociais: o tipo de coisas que influenciam minha vontade de estar sozinho em casa. "Será que eu to dormindo?" E não é que tá chovendo mesmo?!

4 comentários:

  1. Gostei muito de seu texto. Escreve de forma poética e com muita profundidade, coloca bem as frases deixando o texto bem claro, expondo suas idéias com muita propriedade.
    Grande abraço e sucesso!

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  2. Evandro, rapaz, obrigado pela visita e pela atenção e pelas palavras lisonjeiras. É sempre válido uma nova opinião sobre "nós". Mais que isso, somente o apreço pela dose de "nós" que compartilhamos. Gostei de poesias suas, muitas repletas de lavas e todas autênticas.
    Sucesso a ti também, caro. Obrigado mais uma vez.
    Grande abraço.

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  3. Um tanto quanto satisfatório a tal desregulagem, uma vez que levara o protagonista as vias do desconhecido, tornando - o um mero coadjuvante mediante ao que seus pensamentos o determinava a pensar...
    Excelente descrição a sua. A forma como você conduzira e descrevera a situação. Parabéns amigo. Continue com esse requinte em vossas cronicas e contos que o sucesso é garantido.
    Abçs do amigo e Fã!

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  4. Satisfatório é receber comentários bons como estes, caro. E se houver um sucesso "garantido", os responsáveis serão os olhares de apreço dos brothers.
    Agradecer é preciso. Obrigado pelo apoio.
    Forte abraço!

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