quinta-feira, 17 de maio de 2012

Alguma Morte Prevista

"Mundo, desculpa aí. Vou ter de pedir pra descer?"

  É certo que eu estou me escondendo. Não escapo de umas contas medíocres, uns adiantamentos. Só que já era de esperar num momento haver uma derradeira chance de insistir ou, como foi, poupar repetidos solfejos.
Gostei da... brincadeira... Não que eu tenha exatamente gostado, é que o lado facultativo é considerável e, eu acabei ponderando as impressões... Não foi de todo dispensável amar essa... runf, filha-da-puta. Gostei do que vivi e muita coisa foi boa enquanto durava. Só isso!

  Vamos ao que interessa: eu te amo. Desculpe... isso soa tão mal por aqui, eu sei. Na verdade houve um erro no pretérito: eu te amei. Não por nada, mas foi foda. Te amei e alcancei o limite dos prazeres.
Eu sei, não poderia ter sido de outra forma: foi intenso, tudo extremamente bem degustado.
Eu experimentei todas formas de gozo. Explorei todas tuas possíveis variações. De humor a ciências e posições... todas inegavelmente de maneira estratégica. Bem como meus desejos sentimentais. Tanta intensidade que chego a crer que engoli teus pedaços, sem degluti-los: chupei tua boceta, fodi teu cu, sem sentir o sabor de frutinhas vermelhas; sem sequer tomar consciência de que existiam sabores além do álcool. Ou seja, talvez tenha sido intensidade demais para um ser-humano intolerante ao pudor. Talvez porque meu cérebro, reduzido a ordenar bombadas, não tivesse tempo suficiente de se oxigenar um pouco... Que nada - e lá vamos nós de novo! E o romantismo que se fodesse. Você me puxava os cordões. Eu desfalecia. Te beijava. Você tinha nojo? Pressa. Eu insistia. Você mudava de posição, ou suportava meus lábios nos seus sem querer descobrir que gosto tinham. Mas não sabia,,,,,, não sabia que eu tentava te amar mais. Se abria. Eu penetrado, num doentiu ensaio sobre a frenesi, desistia, caía. Você insistia; muito bem, você sempre conseguiu o quis. Até mesmo agora, quem sabe. "Quem sabe..." Pois fique sabendo mais! Que se fosse eu a engolir um caralho nu em pêlos, daria de quatro com tua pose infernal, filha-da-puta! Só de falar meus olhos tremem e meu calção suspira. Mas foda-se, eu sei que há tempos deixei a delicadeza de lado. Lexico, não sei muito sobre roromantismo. Você que tinha muita sensibilidade! Esse sempre foi teu ponto fraco.
Nunca mais houve tempo para ela, tadinha da sensibilidade, e você tinha pressa. Hoje, também tenho. Lamentável. Não importa - Ainda que eu te ame e me envergonhe disso tudo, foda-se.
  Há tanta sutileza nessas coisas, que eu prefiro é ficar amarrado ao conhecimento da razão que nos mata a eternidade imaginária. Claro que não a mesma que você me apresenta em duas partes e com uma escuridão no meio, no ponto onde eu deveria estar. Filha-da-puta! Você não me entendeu nunca. E eu não quero te entender mais. To cagando e andando pra o que você acha: te ouvir ou tentar entender sempre me ocasionou perda de neurônios. Você não sabe o peso das coisas, mesmo as que tu, sem consciência, fez, disse, simulou. Mas eu já falei: foda-se. Meu pau pra você! Pode ficar com esse caralho. Porque o que me resta agora sem você é foder com as palavras. Pra isso não vou precisar de tesão nem órgão sexual; pra excretar essa porra eu só preciso me lembrar de você e a basbaquice da perda de tempo que tu idolatra. Deveria guardar no seu cu! Também já não quero mais coisa alguma. Só quis você e já não tenho. Por um lado é bom: estou liberto. Da putaria dum coração enlaçado por uma mísera vontade incompartilhada.
  Tenho pensado em fazer o que gosto, sem uma maldita e injusta desaprovação tua. Desde sempre é a verdade. Faria diferença se houvesse força de vontade, mais que pensamento.

 Mundão, "mermão", chegou o momento de parar. Ter me aberto com você facilitou muito minha escolha em relação a imagem que terei dela, aquela safada nociva. Posso muito bem viver com o nome sujo, agora. Sei que ainda nos veremos outra vez, mas em posições diferentes. Ao contrário do que sempre foi, não estarei em desvantagem.
E agora? Ah, vamos sumir um de perto do outro. Porque toda essa historinha de criança, em que amor eterno existe mesmo e todo conflito tem um final feliz, não faz mais sentido. Certo, um pouco de conforto, mesmo que seja um "confortinho", também não seria mau.

3 comentários:

  1. Intenso. Achei um jogo misto de inconsequência, fogo e paixão. Quando achava que falava de uma coisa, era sobre outra e depois de outra. Fiquei perplexo, não sei, as vezes me sinto uma monja diante de algumas palavras, tais como elas são usadas; mas daí percebo que sou bem mais profanico, e me perco e me reencontro em algumas dessas linhas. Enfim, comentário não é opinião, mas gostei, tá bom, parabéns! Ótimo. ♥

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  2. Que bacana, K! Obrigado pela atenção de deixar tuas impressões a respeito... Fico feliz. Na verdade a brincadeira se deve aos cortes de pensamentos. Alguma Morte... é um coração se libertando de tudo que a angustia lhe impulsionou, jogando as sensações em palavras. Me alegra tu ter tido a capacidade de enxergar algo. Que possa ler novas crônicas.
    Um forte abraço. Até logo.

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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