segunda-feira, 14 de maio de 2012

Sentido Temporal

Sobre casualidade. Sobre encontros. Em fluxos intensos. Entre pessoas. Rotas inesperadas e, talvez, algum tipo de... recomeço.
Caminhos cruzados e coincidências felizes podem ou não fazer parte, existir. Sem lágrimas ou tristezas... Sem finais, só um início ou com sorte o meio dos percalços e, quem sabe, até o fim.
Nada depressivo. Nada tão diferente, nada tão longe do real. Corriqueiro. Resolvo excluir o plural, afim de linhas mais claras para compreensão do que foi um conflito.

Quando o que restou do que não foi o bastante para um reinício, nem mesmo o sangue derramado importou. E um milagre não aconteceu. Nada aconteceu. Nem antes nem depois dos tropeços e das colisões. Ninguém se comoveu. Nem poderiam. Só nós sabíamos... Ainda assim algo distante do perceptível lutava para um ajuste. Lutávamos por qualquer coisa, por uma razão. Por um motivo, porque precisávamos. Pra continuarmos de pé. E seguir. Até a próxima esquina escura. Até que tropeçássemos novamente. Até que...
Uma curva foi criada para servir de atalho. Que nenhum de nós ousou desbravar. "Ninguém além de nós deveria".
Uma racionalidade tocou um de nós no ponto certo. Lutávamos sem armas! E não se podia fugir do fim sem que um dos lados vencesse e o outro... Não tivemos a chance de tramar soluções. Também não havia tempo. Então, fizemos o que tinha de ser feito. Nada. Deixamos as coisas seguirem por conta própria, pelo mesmo caminho que a enxurrada de lamentos fatuais. Depois, restamos, nós, o restante do que fomos um dia. Ou do que um dia acreditamos ser. Mas já fazia tanto tempo... Fazia tanto tempo que havíamos sido, que nos esquecemos de como era.

Ter a capacidade de se erguer diante dos monstros que residem no inesperado, não é exatamente algo do que a gente costuma se vangloriar, mas nem todos são capazes de superar uma experiência traumática e transforma-la em crônica. Então, pro inferno as concepções alheias!
Gostaria fazer-me ser melhor compreendido, mas não sei explicar o motivo pelo qual se torna impossível dizer mais do que eu já estou revelando. O fato é que nenhum de nós soube muito bem o que estava dando errado; o porque de tudo, do início, e principalmente porque estávamos a ponto de derrubar o castelo de areia. Naquele momento acreditávamos que fosse uma lição da vida, uma mensagem para que nos preparássemos. "Quem é que se prepara pra uma casualidade?" Hoje suspeito de que tenha sido culpa minha. Por talvez ter sido eu o primeiro a não dosar a intensidade do que nem sei afirmar se deveria ser dito e, principalmente, alhearme aos fluxos de emoções que naturalmente elevariam-se e logo nos bombardeariam dado a passividade em que nossos corações humanos se encontravam.
Mas o fim: o fim teria de ser dado por nossas próprias mãos e de uma vez. Se por um lado não podíamos mante-lo, por outro o apego nos detinha, porém não deixariamos sua destruição a cargo de terceiros. Afinal o castelo só não havia sido construido no lugar mais favorável à durabilidade, de todo modo assisti-lo lentamente sucumbir a maré não era uma ideia agradável.
"Foi."
Às vezes acho que fomos fracos. às vezes acho que aguentamos até demais. Mas não fico somente no achismo. Não. Eu tenho certeza de uma coisa. Que independente do que foi nossa força ou coragem em nos mantermos à margem da realidade, que cedo ou tarde perceberíamos, pagamos o preço maior por ignoramos os limites -  os benditos limites que somente hoje exergo e me impedem de continuar a exigir mais de mim.
Às vezes também acho que perdemos tempo demais com argumentos que não nos levaram a nada. Fora a ilusão de que fomos, em algum momento, compreendidos.
E essas ideias são pra mim mais aterrorizantes do que possa soar. Tudo bem, eu posso seguir quebrado.. "É, apesar de tudo, nós, seres humanos aceitamos até o que nos mortifica". Mas e essa impressão de inacabado? É a única que sobreviveu às ondas.
"Foi uma quase morte..."

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