sábado, 5 de fevereiro de 2011

Poesia Masculina


"Dá liçença, estamos discutindo sobre coisa seria, aqui!"
- Você não se importa que te achem feio, gordo, ou lindo e charmoso, porque isso não compra o que você é: você deseja ser você mesmo (ao menos deveria). Primeiro porque você se ama acima de tudo e de todos. Sabes que somente amando-se, poderá ser capaz de amar outro. Não é assim que é? E depois, você não depende de niguém para viver mesmo! Pra não chegar ao ponto que uns e outros por aí, sabe, completamente insatisfeitos, é preciso valorizar-se como indivíduo enquanto ser humano que procura melhoras.
"E se acredita as alcança."
- Isto é quase diferente. É raro de se ver. De se ouvir. Gosto dessa verdade concisa. Ainda mais da sanidade que há! Parece ser capaz de contagiar todo um mundo de almas perdidas... Como a minha.
- Olhe, meu caro amigo, pelo respeito que já existe no compartilhar dos sentimentos e crenças, devo te pedir que - acaba sendo mais um conselho do que qualquer outra coisa - tenha positividade e paciência pois um dia chegaremos lá. Seremos tudo o que esperamos.
- De jeito nehum! Sou apressado e não espero menos que um "já!".
- Ah, eu lhe entendo. Você é jovem. Lembro de quando tinha a sua idade, lembro-me de como eu também  sofria por essa ansia de ter tudo... esse imediatismo.
Sem a pretenção de ser o dono da verdade, o Sr. da guerra e da paz, o melhor dos melhores, etc. Mas não é dessa forma que crescemos: esse caminho deixou de ser possível desde o momento em que a Criação cedeu à própria Criação. Sabe, iludiu-se.
- E como nas escrituras, digo, é por fatos ocorridos nos primórdios que hoje custa tanto obter tudo o que desejamos?
- Por partes... Ter tudo é poder partilhar, no mínimo com alguém, desejos e vontades, alegrias e tristezas, bons sonhos e suas realizações. E até as perdas! Certo?
- Concordo. Principalmente, não é?
- Sim, é que por trás dessa necessidade que temos de possuir, está uma necessidade que apesar de ser menos carnal é mais intensa. Mais humana que a humanidade, longe do narcisismo, pretencionismo: o amor entre duas pessoas. Mais genuino.
"O amor em sua mais humilde forma."
E se revela pela completa rendenção ao outro, (que analisando mais profundamente é render-se a si mesmo), provando ao criador o merecimento do perdão pelo pecado primário.
- Mas viver uma experiência assim é a necessidade humana? Possuir-se sem saber. Isso é o "ter tudo"?
- Por que, falta algum sentido? Risos!
- Não é evidente?
- Sim. Mas porque quando pensamos na falta, não a vemos em nós que somos hiper carregados de amor. Por nós mesmos. Erramos em quase tudo, enchergamos quase nada e não percebemos coisas simples. Falta empresta-lo! Falta empresta-lo! Empresta-lo a alguém e ver que esse alguém também quer nos emprestar um pouco do que carrega consigo.
- Porque, agora estamos falando só de amor? E em emprestar quando na verdade o amor se doa.
- Grande verdade. Falsa. Porque amor se empresta. Já que é: "infinito enquanto dure..." Compreende?
- Não muito. Não sei o que dizer sobre isso. Mudando de assunto, eu acredito que a questão do ser é a aceitação, do início ao fim.
- Também acredito. O sentido de toda uma vida se resume a procura de sentir-se bem. Existem os erros, claro. Mas por mais tropeços e maiores que sejam esses erros, a intenção sempre é a melhor.
- Também é uma questão de merecimento e maturidade. Porque aceitar o que é fato, muitas vezes é dificil...
- Mas o amor, apesar de vibrar numa só frequencia, tem impulso diferente em cada um de acordo com a conciência que se tem sobre o que realmentge é válido e gratificante de ser vivido. As vezes nem é preciso tanta maturidade. Com o tempo, e se preciso até com a dor, desilusões, até os Bruts aprendem a ser mais maleaveis. Afinal não há muitos caminhos para encontrar a paz.
- Puts, mas ainda é triste a realidade estampada numa porção de gente... Olhando para qulquer lado a gente encontra os mesmos conflitos se repetindo. Parece que custa mais aceitar o que é simples, se desapegar de "regras empurradas goéla abaixo", que perceber as ilusões que interrompem vidas inteiras de possibilidades e se libertar.
- É aquela questão do passar a enxergar o que é simples. Parece tão óbvio, simples mesmo, que chega a ser complicado para um mundo em que tudo se paraboliza.
Quem tem a noção do pouco que tras a verdadeira alegria (felicidade), está mais próximo de alcansar  as tais melhoras ou terá mais chances de encontrar exatamente o que procura. A tal libertação. E possivelmente este experimentará viver o verdadeiro amor. Quem sabe seja até mais fácil do que aparenta e eu é que esteja delongando sobre detalhes irrelevantes. Mas, é que muitos de nós penam um pouco até aprender a simples ordem da busca: "Cuide do jardim!" E de N formas preferimos sofrer até aprender que padrões são alusões distorcidas de égos mal formados. Sobre isso eu já havia conversado contigo!
- É. Faz parte. Até a infelicidade.
- Será que faz mesmo?
- Diz.
- O inicio é aceitar que tudo são momentos, mas que os bons podem se repetir, e o fim é aceitação que tudo está em nossas mãos se percermos o que nos torna felizes. Afinal de contas você acredita em Deus? E que ele seria mesmo tão injusto quanto acreditamos?
- Hum, sim.
- Em sua sabedoria ele é injusto, sim. Desde o primeiro ato. Criar o ser em sua fiél semelhança e "condela-lo" a procura por sí próprio nos outros... Parece legal e uma boa ideia. Mas não é nada fácil!
Veja só que na prática, diversas vezes nos perdemos, você mesmo chegou a mim para desabafar  e talvez tirar alguma conclusões a respeito do momento difícil que está vivendo.
É inevitavelmente, nos perdemos.  Em meio a tantas realidades paralelas da vida e até do mundo ideal - que jamais existirá. Eu sei. Tanto pela cegueira que nosso reflexo no espelho causa (se ainda não temos a capacidade de aceitar a simplicidade do que vemos), quanto pelo mutável fato de que o mundo sempre caminhará na desordem generalizada, o que inclusive perpetualiza o desencontro, adiando muitas vezes o início da procura! Daí o ódio, o medo, o nojo. Frutos da insatisfação de não compreender o que realmente é o ser humano: você, ele, eu. E mais do que isto, não prever que os atos ligam-se as palavras, e élas, quando sinceras, são reveladoras.
Aceitemos os fatos. Não há como não ser. O ser é o que é. Perpetuamente.
Queria um conselho? Não posso aconselha-lo ou direciona-lo ao que seria a melhor decisão.
Procuremos conversar com as palavras.

Um comentário:

  1. Variações de uma mente buscadora!!! Louvável!!! Bem louvável!!! As respostas vêm quando há perguntas... ainda que a Verdade com v maiúscula não possa ser transcrita por qualquer uma delas... Uma pergunta sempre leva a outra e a outra e a outra e então nos vemos nesse emaranhado de idéias, histórias, ego, eu... quando o eu já é, já está, já agora!!!

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