sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Quando disse eu te amo

Chegou a hora de não ser momento para falar.
Depois que o amor, em palavras e outras formas exatas, já havia tomado espaço o bastante para secar as dúvidas derramadas em muitas noites no meu travesseiro e eu, notado sua presença. Em contos. E marcas.
É mesmo e somente uma data que registrei também no peito. Uma tatoo a fogo. Viva. Nossa. Dum dia ou noite qualquer em que Vênus, lua e Marte formaram um eclipse.
Uma noite qualquer.
A paixão, confundida com outras estórias calou-se diante da adormecida vontade latente. E a vontade corria nas veias... Por todas elas. Pulsava.
"Que a vontade ao desejo se entregue e que o mundo continue em silêncio enquanto o eclipse se dá acima das nuvens de um céu nublado."

O secor dos lábios em meio a ventania do lado de fora. De nós dois. Num quarto qualquer. O vapor escorre nos vidros da janela. Sons são calados, respirações profundas intensificadas, o os astros se unem.
Agora apenas sensações... que permanecem nas minhas reflexões durante toda reação físico-involuntária.
Enquanto eu percebia que o planeta deixava de se mover, a janela se abriu, os sons nos invadiram. E as reflexões fugiram.
Pela primeira vez me senti ao mesmo tempo minúsculo e gigantesco. Eramos mais que talvez, éramos maiores e mais essenciais do que nunca antes, sós. Éramos um. "A jenela nunca mais fechará", prometi.
Na verdade não percebia para onde íamos, e a noite foi tomando conta de nós. Mas ainda éramos dois e a noite ainda não tinha dono. O eclipse continuava. Enquanto eu esquecia de olhar para o céu, as estrelas refletidas em seus olhos me lembravam.
"Costumes vão morrendo sem que se note." Mas de alguma forma sabíamos de tudo, e eu deixei uma nota aguda vibrando no ar. Apressado. Leve e pesado, gelado e calado, arrepios quentes e frios, calafrios, suor, fogo.
Passava das doze horas, quando o sol deixava o eixo eclipse. Algo na terra, no quarto, no ar, na cama despertou. Trouxe o lençol e juntou-me a água.
Vênus continuava no eixo exato de Marte e o sol tomava outro rumo. Seu calor foi absorvido.
Eu, a ponto de explodir e de repente: "Eu te amo." Tudo absolutamente confuso, com a inesperada confissão que minha verdade já não cria ser somente sonho. Ou o inverso do universo que caiu por cima da minha percepção.
Meu sol apagou. O sol se foi. Ou foi que naquele instante meu corpo não mais o podia sentir... o calor?
Sem precisar ecoar, aquilo, em min rebatia enquanto eu não ousava me mover: "Eu te amo." Era tão incrível e tão grande! Que os meus olhos não o podiam dimensionar. Aquilo. Meus sentidos descontrolados pela absorção de tanto calor, descoordenavam funções primárias do corpo. Orgãos em combustão. Minha existência em outra dimensão. Enquanto a audição tornava-se unilateral, eu entrava num estado físico em que permaneço desde então. Mudo, pálido. Feliz.

Porque derrepente você se torna maior que o sol... E derrepente você... tão mais próximo, mais palpável...
Não houve recusa e o sol tornou-se vela; cedendo seu lugar a um único sonho que cada dia se torna mais conciso. Real. E o eclipse se desfez.
Verdade é, que sempre será nosso segredo. Só meu. Tanto mais agora que o mundo nos abandona, órbitas se modificam. E nosso mundo solidifica-se enquanto nos apossamos das profecias.

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