terça-feira, 13 de setembro de 2011

Seja bem-vindo ao mundo real

Falar, muitas vezes me parece mais complicado que escrever. Por isso eu escrevo. Aqui. Claro, também existe a questão da acessibilidade, uma vez que o blog pode ser visto pelo mundo. Já meu caderno de relatos (quase doentis)...
Veja: são tantas descargas eletrônicas por milésimo de segundo, tantos raciocínios e, dado a velocidade das falas proferidas, organizar tantas ideias numa ordem compreensível (racional) acaba sendo mais trabalhoso. Vira-e-mexe eu me engasgo ou me perco na tentativa.
Dificilmente falo sobre a vida num contexto geral. Isso vem de tempos... Por despreparo, pela aparente ousadia da minha parte, enfim, houve uma personificação da inconstância. Todavia não posso omitir, tudo o que escrevo sou eu, digo, é o que indescritivelmente toma completamente os meus sentidos e faça sentido ou não, passa a ser parte do que eu sou a partir do momento em que nasce o ponto final (que na maioria das vezes é por antecipação). O fato é que hoje acordei mais calado e reflexivo do que ontem. Depois do café e outros deveres fora de casa, subi a laje da casa de meus pais, sentei sobre um muro em construção. Fiquei por um tempo olhando para árvores centenárias a uns dois quilômetros dali, tentando esvaziar a cabeça dos planos para o dia seguinte. Sem conseguir. Fumei um cigarro, insatisfeito com a volubilidade das realidades multiplas da existência humana. Um tanto revoltado eu diria. É, porque se você ainda não se deu conta, enquanto muitos falam sobre progressos, a evolução, o transcender, a igualdade social, o restante do mundo, ao invés de lutar para de fato alcançar tais objetivos, ignoram sua urgência. Enquanto uma porção de almas desencaminha-se, indo em direção às fossas mais profundas da condição humana, perdendo a pudicícia de seus ideais; perdendo-se em cada nova curva, em cada projeção para mais fundo, e fundo e fundo e fundo e F
U
N
D
O, perdendo tempo, suas roupas, e até partes do corpo. Distantes de uma salvação.
Isso mesmo!
Talvez quase ninguém tenha notado, mas tá tudo indo pro inferno. E tem quem diga que é exagero. Tem até quem diga que é o contrário! A esses, aconselho: mude o debilitado foco de visão do teu nariz para além do teu cercado elétrico. E “seja bem vindo ao mundo real". Onde o que importa é ter. Para poder. Sabendo de nada ou sem saber de tudo. Não importam as concordâncias. Só o querer. E tudo vale para obter. Pelo prazer, então, vale tudo. Vale ser o que não é. Quem não é. Vale dissimular e chantagear a fim de conquistar. Vale qualquer coisa. Sim vale. Usar da inteligência para manipular. É como um jogo. Onde vale apostar o que não tem. E quando precisar, usar a vida de alguém. “Start!” Hora de arrancar tudo o que puder do maior número dos outros, jogadores ou não. Quando as técnicas falham, os planos dão errado, vale se vingar em quem aparecer - se vale menosprezar as razões alheias, né! Se não aparecer, é válido procurar e cobrar o que imaginar ser necessário. Porque também vale ser cruel. “Game Over” não existe! Porque tudo isso é tão... Gostoso à beça! Vale despreocupar-se com tudo que não diga unicamente respeito a si mesmo. Vale desrespeitar. Até matar vale, caralho!
Tudo vale na busca do que se deseja. Vale. Vale sim. Vale até dizer eu te amo. Só não vale acreditar. É se enganar.
Peraí, alguém achou tudo isso um exagero! Extremismo, muita apelação, desconexo ao nosso universo - ou com o teu? Sei. Não sei. Não sei de nada. Mas se te importa saber, eu também tenho nojo dessa ilusão. Desse odor. Asco, repugnância. Impaciência então... Em pensar numa vida perdida para esse buraco negro de absolutamente Nada fantasiado de Solução: esperança? O sentido de uma vida, que dia-a-dia mecanicamente mais e mais pessoas tomam para si como o manual do cidadão digno. Digno... É o mesmo que possuir o bastante de “dignidade” para sonhar com prêmios de loteria. "Tanta dignidade me deprime." Dignidade exposta a quem quiser ver: seja nos recorrentes fins de semana, na companhia de outros boêmios; seja na companhia duns velhos trapos insuficientemente aquecidos; miseravelmente encolhido no pouco espaço que resta na sarjeta menos fedida, a dignidade alcança a todos.
Digníssimos, vejam quanta dignidade em se sujeitar a condição humana que nenhum de nós está totalmente livre de experimentar. Experimente você também, se tiver coragem. Extremo. Alguns chamam de situação precária, outros apenas forçam um “lamentável.”. De fato o combustível social ainda não funcionou em motores a moral... Sinta o cheiro de bosta. O ralo está bem... Aqui!
Ts.....
O que eu realmente sei é que somos todos iguais. Farinha do mesmo saco. E, meu irmâo, o saco está podre. A realidade é universal, tá ligado? Digo... Não é exatamente uma novidade. Não concorda? Não é mesmo! Também não é espantoso. Ts, ts. Não. Há tantas coisas urgentes: "preciso arrumar um jeito de ganhar mais dinheiro." Foda-se à custa do que ou de quem; quero vestir as grifes.":
- O Senhor tem preferencia por uma marca?
- A mais cara, por gegentilez
Com o orgulho na mesma cara de dignidade com que olhou e logo deu de ombros, negando uma moeda ao coitado ancião aleijado e mentiroso que na certa queria beber uma pinga pra amenizar os tremores dos ossos na geada que se aproximava aquela noite.
Claro. Tantas coisas mais compreensíveis pra ser ocupar... O problema dos outros é o problema dos outros, oras!
Mundo perfeito é esse mundo real.
- Está triste?
- Isso não é terrível?
Tristeza por tristeza, não esqueça que todos perdemos coisas pelo caminho. Até o caráter. E essas coisas podem ficar a Deus dará.
Terror por terror, os Osamas vão morrendo, mas o horror de seus ideais mortais crescendo. Meu amor, não fique assim... Tudo isso é tão lindo. Mortes e Miséria. Numa disseminação incontrolável.
Até quando? Que pergunta mais chata!
Depende da insistência na inércia em nos rendermos aos moldes inibidores da revolução interior; continuarmos nos formando doutores pragmáticos dentro desse sistema em que os reais direitos são esquecidos - como serão exigidos, porra?! - e até as perguntas deixam de serem feitas por medo das respostas; consequências ou inconsequências. "Trabalho em vão, energia desperdiçada." São nossas frases de pontos de vista deturpados pela descrença na humanidade. É assim que nos escondemos. "E que continue o acumulo de merda rica!"
Assunto meio confuso, né? Complicado...
Calma, não é o que parece. Não estou querendo fazer apelo para o resgate do espírito socialista, nem pretendendo levar o despertar individual da necessidade de uma política ativo-funcional que substitua essa porcaria teórica sem outros fins além das "soluções" paternalistas reforçadoras de preconceitos e conservadorismo, (o que inclusive me lembra de pedir a Deus que nos proteja que a IURD a cada dia cresce dentro do poder administrativo desse país), putaquepariu! Se isto fosse possível, seria excelente! "Mas eu estou aprendendo que sonhar é um ato de pobres infelizes."
Voltando onde me importa esclarecer, afirmo que não é o que parece. Não é sobre política que eu curto falar. Me interessa mais o impacto contra o espírito de justiça. E o meu está um tanto incerto quanto aos modelos de conduta. Pois cada vez que me lembro dos infinitos monstros sociais não consigo omitir a empatia que me causam. É que, apesar da composição fraqueza + desvio de caráter, ainda que hajam de modo egoísta, creio que sejam eles, os que melhor compreendam sobre razões de exteorizar a ira. Mesmo que por uma "vendeta' fútil e infinita. E isso existe em mim. Esse texto é sobre isso. “É exatamente isso.” Digo essas coisas porque todos sabem, mas alguns se esquecem que esses monstros continuam a nascer crianças sonhadoras, dependentes de uma realidade mais justa. "Igualdade, respeito, merda!" Esquecidos que a vida é irônica, e num amanhã estaremos abraçando um pequeno Brut que se vingará do descaso social nos esfaqueando assim que possível, na tentativa de alimentar uma sede de sangue. Insaciável, já que essa realidade infernal não muda. ''Vingança pelo caos.'' Quem acha isso um horror? Quem será o primeiro a me perguntar: pra que tudo isso?
Não, eu não esqueci que a vida é sublime. Sim ela é. Porém nunca deixou de ser imprevisível: pode nos melar com o mais doce mel ou nos amargar com o pior dos terrores. E estou certo de que nunca seremos imunes ao poder que ela exerce sobre cada um de nós. Seres. "Muitas vezes longe do humano." Antes são necessárias mudanças. "Elas são bem-vindas!" Trazem novas possibilidades, renovam o espírito, abrem portas diferentes. Mas os cegos não querem enxergar, não é? Eu sei. Preferem se fechar nos cercados de suas casas a olhar ao redor de suas realidades de “A vida me trouxe coisas boas, sucesso e riqueza, mas desde sempre o preço tem sido auto.” E deixam de se importar com os potenciais salvadores do caos, que no momento estão enclausurados: ainda que possuidores do acumulo de experiências que os dignificam como pássaros, aprisionados por um sistema que os impedem de voar. ''Receios por uma impossível liberdade.''
Não pretendi discursar. Meus olhos e coração não estão focados em questões sociais. É que na laje eu fui fumar um cigarro. E sentado no muro, olhando o pouco do verde que restou do crescimento comercial e das reformas fundiárias de em Taboão da Serra, minha insatisfação por tudo que por mais esforço, coração, alma, vida dedicada, não tem resultado, me fez chorar. Inconformado. ''Triste.''
Insatisfeito como muitos ficaram, estão e estarão. Eu lembrava e me cobrava resultados por tantos e tantos sonhos e ideias que mesmo com meu esforço não haviam dado em nada. Insatisfeito por não obter resultado algum na conversa que se estendeu pela madrugada anterior. Por instantes me confundia com outras pessoas que estão na luta por causas. Cada um em seu lugar, cada um em seu oficio, com o mesmo interesse: buscar resultados positivos. "Enquanto há o contraste." Em contra partida outra porção – maior – do lado mais oposto que se pode imaginar, apenas trama a perpetuidade da estagnação, criando formas de esticar o tempo para manter tudo no estado podre que está. E para isto só o que necessecitam são argumentos. Para prolongar a satisfação insatisfeita do engano, que os mantém em seu equilíbrio. Em sua burguesia espiritual. E a merda cada vez mais visível. É por isso. Foi por isso. E por isso, um momento reflexivo em cima de um muro, sendo tocado por situações humanas, me sentindo menos humano em meio ao “humanismo dos dignos” que fode o planeta. Por uma brisa momentânea. Por raios de sol. Por isso, por tudo isso que me trouxe até aqui. Pensei que assim como o ar, todos nós precisamos nos renovar de tempos em tempos...

6 comentários:

  1. ...kra, vc foi profundo... me fez lembrar o saudoso CAZUZA insatisfeito com as injustiças da vida..."sua intelectualidade me fascina" abs

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  2. Nossa, tá inspirado hein, garotão... Gostei! Gostei muito...

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  3. Olá, Mrs. Eliezer e Anderson. Obrigado pelas injeções de ânimo e por lerem a expressão. Abraços

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  4. Oi acabei de ler a primeira página como minha dislexia não permite ler muito vou ler devagar ok! Tenho uma proposta a fazer...

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  5. Oi acabei de ler a primeira página como minha dislexia não permite ler muito vou ler devagar ok! Tenho uma proposta a fazer...

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  6. Oi acabei de ler a primeira página como minha dislexia não permite ler muito vou ler devagar ok! Tenho uma proposta a fazer...

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